domingo, 29 de novembro de 2009

E a vida é um detalhe....


















Ele colhe pétalas pra te juntar uma flor, moça, e quer onde for, leva tua fotografia juntinha à dele, tirada nos mais cândidos locais de seus sonhos, e queria tanto te levar lá pra conversar, e não deixar morrer o encanto, ele só queria regar, fazer germinar com a emoção que cai dos olhos, pra nascer, pra crescer um canteiro inteirinho de sentimento em tua homenagem, e muitas flores, várias cores sobre personagens em preto e branco, cinema mudo, e aquele banco de praça vazio foi previsto seu, e como poderia te ter, se ...EU NEM SEQUER SOU MEU!

sábado, 21 de novembro de 2009

Indo...






















Meus desenhos na parede do quarto feitos à giz de cera têm falado comigo, e talvez até tenham dito algo de bom, mas não dou a mínima, não queria estar louco, talvez não queira, bom, nem sei, o pouco do senso que me resta faz-me ter pressa de não afundar de vez em mim, tenho nos braços o desespero, e a calma dos teus abraços, insensatez, insana nudez da alma, quase fim de mês de mais um ano que finda, e eu, desertor de alguma crença no que ainda me diz respeito, continuo sem jeito de viver!

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Colibri contra o vento


















Mar calmo, à um palmo do perfeito
se o imperfeito não saltasse os olhos,
beirando o exagero, um coração bravio
no desespero de não-solidão, aponta-me
o vento, denuncia minha fraqueza aos
quatro cantos do quarto escuro da alma,
verdade seja dita, desacredita a flor, e dá
as costas para o que não é belo, eu, a
singeleza do meu canto de bem-querer lhe
foi pobre, e sobre querer, termino por não ter,
beija-flor que não beija, ah vá, que sejas,
rasgo o céu ligeiro, quebro os ossos do rosto
no choque com o azul, viro menino, caio uma
vez mais sem amor...


Que a beleza não me enquadra em seu campo de visão, bem, isso é fato, mas, tento, sozinho, ainda tento...e tome "fora" nos "côro", hehe, é nóis!

sábado, 10 de outubro de 2009

Que lava a alma árida...

















Grato pelos monólogos absurdos,
e de toda sorte de coisas que,
pela graça do Deus bendito, ficam
na mente, aleluia, não saltam a boca!
Ah, esse incômodo desejo de reclamar
do mundo, e de tudo que fica "salvaguardado"
pela barreira da boa vontade alheia(falta),
contida, cara, acho que tá escrito:minha pele
deve sofrer várias chuvas sem o abrigo de fiéis
ouvintes, confidentes, onde têm ido, e de idos
de solidões, ó bom pai, eis que se renovam, e
espessos caem os pingos, quase que ferindo o dorso, machucando, machucado, peço ainda com a alma que encharca, chorando...sejas, quiçá, a nascente das águas de descanso, a solidão cansa...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

O abrigo do bom relento

















Ó trêmulas mãos que hoje habitam
trevas de luzes tremeluzentes,
a tristeza do presente corpo em
evidência uma vez mais paga pelo
amor que vaga, e se com amor se
paga, não resta níquel algum,
a caixinha vazia do peito quase
nem presta mais, mas, dado ao
pobre que sou sem ela, sem nem
janela pra poder te pôr, "fulô",
desafortunado empresta à Deus
quando puder, e dele tenho a morada
do abrigo-esperança denominado noite,
de teto estrelado, nem é mais pernoite,
um bom chorinho vindo do bar sem nome
embala-me o cochilo no meu calmo "choro-chorado".

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Remetente:ermo



















Caro amigo lodo...todo, todo cinza o céu da boca entreaberta, lembra, da alma nublando na calma da rua deserta chorando em chuva, das exatas palavras à ti proferidas:"prazer, ermo, eterno enfermo do inverno de amores perdidos"? Pois, diz que desde aquele inocente prantear que esvaiu ao telefone, vivo desde então no esquecimento dela, creio eu, até o nome tido por indiferente, sabe, pergunto-me no âmago se gente sou, calo o espelho, talvez seja uma mera silhueta ao longe, uma folha caída entre os galhos secos do velho maracujazeiro torto talvez, que seja, de certo, fruto de um janeiro bem remoto, e o sentimento morto à sombra, dia após dia às trevas das árvores, mas, eis que surge a tarde, a mesma tarde antiga que arde com seu sol de lembranças, homem ao mar das desesperanças, um corpo em movimento, e de movimentos te encontrei com o nome de limo, *"nas pedras que sonham sozinhas no mesmo lugar", descompasso de ritmo, despeço-me em lágrimas que nem um perdido, e se não encaixo um bom verso, confesso...
Raul(também)chorou.

*Raul Seixas-Medo da chuva


segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A espalha-nuvens

















Envolto na plena órbita do meu universo particular, no bar de mesmo nome, eis-me aqui, como já disseram de mim, "planetinha diferente", gente, quase que deixando de ser esfera, de grandes crateras, e ainda erro a caçapa,
orifícios da timidez que se alastra, e me afasta da florescência da simpatia naqueles poros de bela morenês, foi sim, cara, ela olhou pra mim, ó,enquanto o povo pedia Belchior, ah, é, enfim apareceu, esteve escondido em algum
compartimento secreto do bigode, ah, 'xá pra lá, né, felizmente ela não bailava à pagode, dançava ao som da Baque Lírico, banda massa, que não é de circo, mas toca com graça, e eu ali, sem graça, com o que falsamente fiz meu por instantes breves, bom Deus, aquele anjo tem um leve toque que espalha as nuvens ao som do samba-rock, tristeza e encanto que afloram a pele no escuro, meu reino pelo teu nome escrito num muro, um grafite, um quadro azul, pois é, cada um com seu cada um, e a frustração de não ter de ti um sorriso sequer...(ou tive?!?)